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A Fronteira Final

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Foto: Divulgação
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O espaço não é a fronteira final. É o tempo. A melhor prova disso é Star Trek, que volta ao ar, agora na Rede TV!. O seriado foi criado em 1966 por Gene Roddenberry e já frequentou várias vezes a tevê brasileira. Poucos são os programas mais antigos em exibição, talvez apenas o imbatível Pica-Pau e outros desenhos da primeira metade do século 20. Nem mesmo o veteraníssimo ‘Chaves’ chega perto desse seriado futurista. E que hoje parece retrô.

 

Mesmo antes da animação digital tomar conta das telas, os monstros que o capitão James Thiberius Kirk sopapeava já provocavam vergonha alheia. Não podiam alterar a expressão facial e movimentavam-se como dinossauros de plástico, talvez não tão bem. E os cenários ameaçavam desabar a cada ataque klingon. Nada disso importava. No mundo inteiro, o seriado virou uma febre e acabou ganhando 11 continuações no cinema. Na tevê, surgiram seis spin-offs e o Google conta até hoje cerca de 250 milhões de sites e citações ao seriado.

 

É curioso que, a despeito dos números, a série original e seus rebentos sempre tenham feito um sucesso relativo. Sua estreia esteve mais perto do fracasso do que da consagração. E nem o último filme do franchise, Star Trek, de 2009, chegou a fazer uma bilheteria astronômica.

 

Nada disso alterou a fama e o entusiasmo de sua legião de fãs, que parece disposta a ficar sábado em casa até um pouco mais tarde para rever pela enésima vez os episódios da série. Há toda uma cultura em torno dessa ficção científica, que inclui convenções, venda de roupas e “memorabilia”, história em quadrinhos e orelhas de Spock. Na primeira semana que foi ao ar na Rede TV! – emissora de um quadrante de escassa audiência, cujos seres mais conhecidos são os bizarros habitantes de Pânico na TV! –, chegou a marcar um ponto no ibope. Nada desprezível para a meia-noite e trinta, a anos-luz do horário nobre.

 

Uma nova sequência cinematográfica de Jornada nas Estrelas, como a série também ficou conhecida por aqui, está anunciada para o ano que vem. Certamente com todos os recursos digitais e 3D que estarão disponíveis. Como, atualmente, as grandes produções do cinema norte-americano são feitas para o público infantojuvenil, a nave Enterprise parece que ainda vai navegar por muitos anos pela galáxia multimídia.
De certa forma, nem mesmo o passado é estático e ele muda conforme mudam os costumes do presente. Basta rever as microssaias usadas pelas atrizes no seriado, que hoje seriam proibidas em 17 Estados norte-americanos. Ou o abuso de cerveja romulana. No filme Generations, de 1994, o capitão Kirk, de William Shatner, definitivamente morre e se livra dos uniformes reforçados que tentavam esconder as arrobas extras que a idade lhe deu. No último suspiro, diz com propriedade: “Foi divertido”.

 

Deve ter sido.

 

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