Assistência Humanitária na Costa Verde do Rio busca garantir dignidade das comunidades em meio à violência

Projeto social 'Canoário Vera Lúcia Braga' que oferece educação, cultura e suporte a famílias e crianças na Praia do Longa em Ilha Grande-RJ há mais de 30 anos é exemplo de como iniciativas não-governamentais buscam garantir o mínimo de dignidade na região.

Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio, começou o mês de setembro deste ano ocupando o primeiro lugar no ranking de cidades com maior índice de tiroteios no estado. O município teve nove trocas de tiros durante os três primeiros dias, mais do que as comunidades Cidade de Deus e Jacarezinho, no Rio. Em agosto foram 57 tiroteios nas localidades. As informações são do aplicativo “Onde Tem Tiroteio”.

O município tem registrado intensos tiroteios por conta de um conflito entre facções criminosas, que disputam o tráfico de drogas na localidade. Projetos não governamentais e apartidários tem buscado assegurar o mínimo de dignidade às pessoas que vivem na Costa Verde do Rio. É o que revela a educadora e ativista Débora Braga, que atua há mais de 30 anos no projeto iniciado por sua mãe, Vera Lúcia Braga na Praia do Longa-RJ, localizada a cerca de 1 hora de barco de Angra dos Reis. O projeto ‘Canoário Vera Lúcia Braga’ auxilia crianças da comunidade com atividades de educação, artes e restauração cultural e da dignidade da pessoa humana.

Débora Braga, educadora e ativista no Projeto Canoário no Rio de Janeiro – Foto: Divulgação

A verdade é que a Ilha Grande está mais ameaçada que nunca. Niilismo, drogadição, desemprego. As ameaças vêm de todos os lados: turismo invasivo, pesca predatória, pre-sal, entre outros. Todos estes fatores e a ausência completa do Estado fazem com que as pessoas que residem nesta região percam sua identidade, suas raízes, referências e valores. Como educadora, ao longo do tempo, pude perceber a importância que pequenos gestos tem para retomar a dignidade dessas pessoas”, afirma a ativista.

Débora conta que ao longo dos anos de atuação na comunidade nunca visualizou um cenário tão caótico. Segundo ela, por se tratar de uma região famosa mundialmente e em razão do potencial financeiro que grande parte dos moradores da região tem, a mobilização poderia ser maior. “Temos muitas pessoas renomadas e com poder aquisitivo morando na região, mas que não se mobiliza para auxiliar projetos sociais na área. A dificuldade de conseguir apoio aumenta a cada ano”, revela a ativista.

Débora Braga, educadora e ativista no Projeto Canoário no Rio de Janeiro – Foto: Divulgação

“Segundo a educadora e ativista, há uma espera generalizada para que o Estado intervenha de alguma maneira. “Infelizmente o Estado perdeu o controle destas áreas e nós, membros da sociedade civil organizada abraçamos a causa dessas pessoas que estão em meio ao fogo cruzado, literalmente. Junto a algumas lideranças religiosas temos feito o possível para não deixar que estas crianças sintam o desamparo do Estado”, afirma.

*Débora Braga, tem 57 anos, é natural de São Paulo. É Professora Montessoriana (Especialização na área da educação docente), Pedagoga e ativista pelos direitos da pessoa humana. Há mais de 30 anos dirige o projeto iniciado por sua mãe, a ativista Vera Lúcia Braga, na praia do longa localizada na Ilha Grande-RJ. Também, há nove anos, coordena o mesmo projeto de restauração da dignidade humana na zona cafeeira da Colômbia. Atuou por 12 anos na Multinacional Farmacêutica alemã, Hoechst do Brasil. Presidiu as Associações de Professores, Pais e Alunos – PTA na Westminster School, localizada no México e a PTA da Nicholas School localizada em São Paulo. Fala Francês, Alemão, Inglês, Espanhol e Português.

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