Policiais civis cobravam até R$ 30 mil para não efetuar prisões em Goiânia

O esquema de corrupção era integrado por policiais civis e advogados, informou o MP-GO

Investigações da Operação Arapuca, deflagrada na manhã desta quinta-feira (9), apontam que o grupo formado por policiais civis e advogados cobravam entre R$ 1 mil e 30 mil para não efetuar as prisões dos casos investigados no 4º Distrito Policial da capital. Segundo informações, os integrantes também impediam o prosseguimento das investigações.

A apuração apontou ainda que entre as vítimas estão investigados por tráfico de drogas, por venda de medicamentos sem receita e de diplomas falsos. Segundo informações levantadas, um dos detidos atuava como falso policial civil, andaria nas viaturas do Distrito e também utilizava uma arma da equipe. De acordo com informações, ao abordar as vítimas, o grupo pedia dinheiro para não efetuar as prisões e ameaçava chamar a imprensa.

A ação, que deve durar todo o dia, cumpre 11 mandados de prisão e 15 de busca e apreensão em Goiânia e Aparecida de Goiânia. A Justiça já decretou a prisão temporária de cinco dias dos investigados. No entanto, ainda não informada a quantidade de prisões já efetuadas.

A assessoria da Polícia Civil informou que irá se pronunciar sobre a operação apenas na coletiva marcada pelo Ministério Público para às 15 horas.

Entidades representativas acompanham policiais civis suspeitos de corrupção em Goiânia

Entidades representativas dos policiais civis de Goiás estão acompanhando atentamente o desenrolar da operação desencadeada nesta quinta-feira (9) pelo Grupo Especial de Controle Externo da Atividade Policial (GCEAP) e do Centro de Inteligência do Ministério Público estadual em parceria com a Polícia Civil. Estão sendo cumpridos 11 mandados de prisão e 15 de busca e apreensão em Goiânia e Aparecida de Goiânia. O alvo são policiais civis e advogados, acusados de praticar corrupção e extorsão.

Tanto o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol-GO), Paulo Sérgio Alves de Araújo, quanto o presidente da União Goiana dos Policiais Civis (Ugopoci), José Virgílio Dias de Souza não estão em Goiânia. Vice-presidente do Sinpol, Wânia Cristina Rodrigues de Araújo, disse que a entidade foi surpreendida com a operação. “Um dos nossos diretores está acompanhando o depoimento dos policiais na Delegacia de Homicídios para onde foram levados. Nosso papel é garantir que seus direitos sejam preservados, não obstruir a Justiça”, disse Wânia.

Por telefone, José Virgílio, da Ugopoci, informou que advogados da entidade estão no MP para saber o que está acontecendo. “Vamos oferecer defesa aos nossos associados dentro daquilo que é legal. Não tínhamos conhecimento da operação, mas obviamente, quando o Judiciário decreta prisões, há fortes indícios de irregularidades. É ruim isso porque a maioria da corporação é dedicada e trabalha muito”.

‘Não sabíamos desse trabalho irregular’, diz titular do 4º DP de Goiânia sobre atuação de policiais

O delegado titular do 4º Distrito Policial de Goiânia, Eli José Oliveira, afirmou que não tinha conhecimento sobre as irregularidades cometidas pela equipe que nesta quinta-feira (9) são alvo da Operação Arapuca, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO). “Não sabíamos desse trabalho irregular e estamos envergonhados aqui na delegacia. Estou à frente do DP há 3 anos e já tinha visto esse falso policial aqui algumas vezes. Ele chegava no próprio carro, era amigo de um policial, mas não tínhamos ideia do que estavam fazendo”

Segundo informações levantadas, um dos detidos atuava como falso policial civil, andaria nas viaturas do Distrito e também utilizava uma arma da equipe. A operação deflagrada nesta manhã apurou que os policiais extorquiam dinheiro de pessoas envolvidas em venda de medicamentos sem receita, drogas, diplomas falsos, entre outros crimes.

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