Saúde, Educação e Transportes impactam inflação de março na Capital

Queda nos grupos Vestuário e Habitação ajudaram a segurar o índice, segundo informações do Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais da Uniderp

O preço da cebola nos supermercados de Campo Grande (MS) teve um aumento de 20%, segundo dados do Nepes/Uniderp – Foto: Arquivo

A inflação de março em Campo Grande, fechou o mês em -0,19%, segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes) da Uniderp. A taxa é a menor para o mês de março desde 2000, quando atingiu o patamar de -0,87%. Esse índice sinaliza que a inflação da cidade de Campo Grande, em 2018, será uma das mais baixas da série histórica do IPC/CG.

Os grupos que mais contribuíram para o resultado foram Saúde, com índice de 0,92% e participação para o índice mensal de 0,07%; Educação, com taxa de 0,45% e contribuição de 0,02%; e Transportes, com indicador de 0,06% e colaboração de 0,01%. Com deflações, ou seja, taxas que ajudaram a segurar a elevação do indicador mensal, estão os grupos Vestuário, com deflação de -1,34%, e contribuição para o índice de -0,05%; Habitação, com índice de -0,63%, e contribuição de -0,20%; Alimentação, com taxa de -0,08%, e participação de -0,03%; bem como Despesas Pessoais, com índice de -0,14%, e contribuição de -0,01%.

“A inflação nesses três primeiros meses do ano de 2018, em Campo Grande, foi de 0,40%, taxa mais baixa desde o início da série histórica do IPC/CG, em 1994. Esse resultado sinaliza que o ano de 2018 pode ter uma inflação acumulada muito abaixo da meta inflacionária do CMN, de 4,5%, indicando o sucesso do governo nas medidas econômicas tomadas. Ou essa baixa inflação também se deve ao reflexo da super safra de grãos produzidos no país no ano passado, o alto nível de desemprego e as altas taxas de juros, que provocam o endividamento da população e freia o consumo, inclusive de alimentos”, explica o coordenador do Nepes/Uniderp, Celso Correia de Souza.

A inflação abaixo de zero, conjugada com um baixo crescimento da economia e comum índice de desemprego ainda muito elevado, tem justificado a continuidade da redução da taxa básica de juros Selic (hoje em 6,5%). Diante de uma inflação muito baixa, inclusive deflação, o Banco Central já sinalizou mais um corte da taxa Selic, na reunião de maio de 2018.

Maiores e menores contribuições

Os 10 “vilões” da inflação, em fevereiro: 

  • Etanol, com inflação de 7,68% e contribuição de 0,14%;
  • Pneu novo, com inflação de 4,56% e contribuição de 0,06%;
  • Papelaria – extração, com inflação de 2,86% e participação de 0,05%;
  • Conta de telefone convencional, com variação de 2,24% e colaboração de 0,05%;
  • Laranja pera, com acréscimo de 26,54% e contribuição de 0,05%;
  • Cinema, com variação de 5,91% e colaboração de 0,04%;
  • Exame de laboratório, com acréscimo de 4,76% e contribuição de 0,03%;
  • Tomate, com reajuste de 13,91% e participação de 0,03%;
  • Produto para limpeza de pele, com elevação de 5,50% e colaboração de 0,02%.
  • Cebola, com aumento de 20,00% e participação de 0,02%;

Já os 10 itens que auxiliaram a reter a inflação, com contribuições negativas foram:

  • Gasolina, com deflação de -4,85 e contribuição de -0,16%;
  • Gás em botijão, com redução de -3,92% e colaboração de -0,13%;
  • Sabão em pó, com diminuição de -7,51% e participação de -0,13%;
  • Frango resfriado, com decréscimo de -3,63% e contribuição de -0,04%;
  • Sabonete, com baixa de -4,93% e colaboração de -0,03%;
  • Creme dental, com diminuição de -7,39% e participação de -0,03%;
  • Fio dental, com redução de -7,48% e contribuição de -0,02%;
  • Ovos, com decréscimo de -7,91% e colaboração de -0,02%;
  • Paleta, com queda de -6,49% e participação de -0,02%;
  • Açúcar, com baixa de -3,76% e contribuição de -0,02%.

Segmentos

Em março de 2018, o grupo Habitação apresentou uma forte deflação em seu índice, de -0,63% em relação ao mês de fevereiro de 2018. Entre os destaques de produtos com aumento de preços neste grupo estão: limpa vidros (6,82%), máquina de lavar roupa (4,35%), saponáceo (4,25%), entre outros. Quedas de preços ocorreram com: sabão em pó (-7,51%), desinfetante (-4,91%), fósforos (-4,80%), entre outros.

O índice de preços do grupo Alimentação apresentou uma leve deflação em seu índice, de -0,08%, que não era esperada para essa época do ano, mas com o alto desemprego que ocorre no momento no país, juntando-se, ainda, o reflexo da super safra de grãos colhida em 2017 e a continuidade das altas taxas de juros, o consumo vem sendo inibido, inclusive, no grupo de Alimentação, o que provocou deflação nesse índice. “Para os próximos meses de 2018 esse cenário pode mudar, pois, de acordo com os meteorologistas, o clima não estará tão favorável às lavouras como em 2017 e, por outro lado, o país, aos poucos, está retomando o crescimento econômico, com aumento do nível de emprego e da renda, consequentemente, a inflação pode não ficar tão comportada quanto como no ano de 2017. Mas ainda assim, a estimativa é que fique abaixo da meta do CMN”, avalia.

Os maiores aumentos de preços que ocorreram em produtos desse grupo foram com a abobrinha (51,21%), laranja pera (26,54%), manga (24,21%), entre outros. Reduções de valor foram registradas com a couve-flor (-28,76%), limão (-25,76%), mortadela (-24,79%), entre outros.

Dos quinze cortes de carnes bovinas pesquisados pelo Nepes da Uniderp, sete tiveram aumentos de preços. São eles: alcatra (0,02%), acém (0,50%), picanha (1,22%), lagarto (1,23%), vísceras de boi (2,04%), fígado (3,00%) e músculo (5,41%). Quedas de valores foram identificadas com paleta (-6,49%), filé mignon (-3,49%), ponta de peito (-3,36%), cupim (-2,42%), contrafilé (-2,27%), coxão mole (-2,24%), costela (-2,00%) e patinho (-1,20%). Quanto aos cortes de carne suína, apenas a bisteca abaixou o preço, -2,38%; tendo aumento no pernil (3,34%) e costeleta (3,48%). Frango resfriado teve queda de -3,63% e os miúdos aumentaram em 3,98%.

No grupo Transportes os principais aumentos ocorreram com etanol (7,68%), pneu novo (4,56%) e automóvel novo (0,29%); e quedas de preços ocorreram com ônibus interestadual (-4,86%), gasolina (-4,85%) e ônibus intermunicipal (-4,05%).

O grupo Educação fechou março com índice de 0,45%, devido a aumentos em artigos de papelaria de 2,86%.

Deflação também com o grupo Despesas Pessoais, que fechou em -0,14%. Os principais produtos/serviços que tiveram aumentos no segmento foram: cinema (5,91%), produto para limpeza de pele (5,50%), absorvente higiênico (3,42%), entre outros. Queda de preço ocorreu com fio dental (-7,48%), creme dental (-7,39%), sabonete (-4,93%).

O grupo Saúde apresentou uma forte inflação em seu índice, de 0,92%. Alguns produtos/serviços que tiveram aumentos de preços foram: antimicótico e parasiticida (6,28%); exame de laboratório (4,76%), analgésico e antitérmico (4,35%), entre outros. Reduções de preços ocorreram com: material para curativo (-3,97%), e anti-inflamatório e antirreumático (-0,05%).

Completando o estudo, Vestuário encerrou março com uma fortíssima deflação em seu índice, de -1,34%. Essa forte queda de preços em produtos do grupo Vestuário está ligada com as liquidações de verão, no varejo de Campo Grande, motivado por aumentos com camiseta masculina (2,34%), lingerie (1,27%), saia (0,67%), entre outros. Deflações foram identificadas com sapato feminino (-2,45%), calça comprida feminina (-1,67%), vestido (-0,86%), entre outros produtos com menores quedas de preços.

IPC/CG

O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) é um indicador da evolução do custo de vida das famílias dentro do padrão de vida e do comportamento racional de consumo. O IPC busca medir o nível de variação dos preços mensais do consumo de bens e serviços, a partir da comparação da situação de consumo do mês atual em relação ao mês anterior, de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. A Uniderp divulga mensalmente o IPC/CG via Nepes.

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